Por Lucas.
Antes, muito antes de você pirar o cabeção com games de música e ritmo como Guitar Hero e Rock Band, eu, pirralho ainda, freqüentava uma daquelas famosas “locadoras” de games “um real a hora”. Um belo dia vi alguém jogando um game estranho num tal de Playstation.

Desenvolvido pela Enix (agora Square-Enix, que infelizmente só quer saber de RPGs) e descrito pela Wikipédia como um “hibrido música/luta”, Bust-A-Groove (Bust-A-Move, no Japão) é um jogo de ritmo para um ou dois jogadores; simples e muito divertido.
Meu segundo contato com o jogo foi com um daqueles discos Demo que vinham com o modelo antigo do Playstation, na casa de um primo. Demos de Metal Gear Solid e Ridge Racer Type 4 me faziam a alegria, até rever aquele jogo estranho na lista de demos. Pus pra rodar e de cara tomei uma sova do Heat (só se podia jogar contra ele), mas achei a música legal e decidi continuar e tentar aprender. “Porra, aquele cara da locadora não errava uma, não pode ser tão difícil!” pensava eu. Insistentemente, consegui, por fim, vencer o jogo, mas mesmo assim continuei a jogar aquele demo, aquela mesma música naquele mesmo cenário… Então fui à locadora e joguei a versão completa do game. Novas músicas, enfim! Não conseguia parar, o troço era viciante.
Apesar de ter sido difícil aprender, o game era simples demais e incrivelmente óbvio: bastava seguir o ritmo e apertar os botões.

Funciona assim: a barra da esquerda abriga as seqüências de direções, e a da direita, um comando que finaliza a seqüência (com um X ou um Círculo, exceto na hora de soltar uma magia ou fugir) e que deve ser apertado em um momento específico da batida. Cada um tem a sua maneira de descobrir qual é esse momento. A maioria, quando começa, faz a sequência enquanto conta “um, dois, três”, finalizando-a no “quatro”; outros ouvem a música e apertam instintivamente conforme sua noção de ritmo. Eu prefiro contar as piscadas que a barra dá. A da esquerda, com as direções, pisca três vezes (esse é o tempo que se tem para fazer as seqüências). A quarta piscada é na da direita, e esse é o momento para se finalizar. O problema disso é que mal dá pra prestar atenção nos movimentos do personagem. =/
Por falar nisso, os gráficos dão mesmo um show e os movimentos dos bonecos são o seu principal trunfo: todos são capturados a partir de dançarinos reais, tendo cada um o seu próprio estilo de dança. Nessa galeria de dançarinos malucos dá pra rir com alguns, mas a grande maioria dança muuuuuito! Destaque para o Strike, para o Heat e para o Hiro; tenho inveja deles.

O orgasmo musical do game é atingido durante as danças solo, em que a câmera foca o personagem e voa ao seu redor, mostrando-o de todos os ângulos (inclusive de sob o chão!); danças que terminam em dois ou quatro passos, as solo são normalmente mais legais de se ver do que as duo, que ocorrem na maior parte do jogo.
Agora, o principal: as músicas. Bust-A-Groove tem seus momentos. Algumas se destacam, como as do estágio da Kitty-N, do Strike, do Heat, da Frida, da Pinky, do Robo-Z e do Gas-O; são viciantes. Na real, a única que me decepciona mesmo é a da Kelly (até a do Hamm, que já é chatinha, é melhor). Mas no geral, é uma trilha muito boa e todas as músicas são originais, o que hoje é raro num game do gênero.

Outro destaque fica por conta do chefe final: Robo-Z. Puta merda, é um robô gigante dançando no meio da cidade! Hahaha! Cômico demais. Além da música ser um espetáculo, como diria Caco Antibes.
Enfim, Bust-A-Groove é um game divertido e viciante. Recomendadíssimo para aqueles que gostam de música, dança e games de ritmo e pra quem, como eu, sonha em jogar Space Channel 5 no Wii. Depois de pegar o jeito, com um pouco de treino, você não vai conseguir parar. Recomendo e ainda desafio vocês: não é por nada, mas até hoje não vi ninguém me derrotar nisso aqui. =P
Aguardem a resenha da segunda versão. =D
(imagens capturadas por mim no emulador ePSXe)
Escrito por Lucas 
